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Hipotireoidismo infantil: sintomas, causas e tratamento

Tireoide · · 8 min de leitura · Por Dra. Bárbara Amorim

TIREOIDE Hipotireoidismoinfantil: sintomas,causas e tratamento Dra. Bárbara Amorim · Endocrinopediatra

O hipotireoidismo infantil é a produção insuficiente de hormônio pela tireoide durante a infância. Pode ser congênito, rastreado pelo teste do pezinho e tratado nas primeiras semanas de vida para proteger o desenvolvimento cerebral, ou adquirido, em geral por tireoidite de Hashimoto. Os sinais mais típicos são crescimento lento, cansaço, intestino preso, pele seca e aumento da tireoide. O diagnóstico é feito com TSH e T4 livre, e o tratamento é a reposição diária de levotiroxina.

A tireoide é uma glândula pequena, localizada na frente do pescoço, mas os hormônios que ela produz influenciam praticamente todos os órgãos. Na infância, eles têm dois papéis que não existem com a mesma intensidade no adulto: o desenvolvimento do cérebro nos primeiros anos e o crescimento em altura.

Por isso, a falta de hormônio tireoidiano numa criança tem consequências próprias, e o diagnóstico precoce muda o prognóstico.

O que é hipotireoidismo infantil

O hipotireoidismo infantil é a situação em que a tireoide produz menos hormônio (T4 e T3) do que o organismo precisa. Ele é dividido em dois grandes grupos, com causas e cenários diferentes:

  • Congênito: presente desde o nascimento, identificado pela triagem neonatal.
  • Adquirido: surge ao longo da infância ou da adolescência, na maioria das vezes por doença autoimune.

Na maior parte dos casos, o problema está na própria tireoide, e o TSH, hormônio da hipófise que estimula a glândula, fica elevado. Em uma forma rara, chamada hipotireoidismo central, a falha está na hipófise ou no hipotálamo, e o TSH fica normal ou baixo apesar do T4 livre reduzido.

Hipotireoidismo congênito: a triagem neonatal

O hipotireoidismo congênito é uma das causas evitáveis mais importantes de deficiência intelectual. Nos primeiros anos de vida, o cérebro depende do hormônio tireoidiano para se desenvolver, e a falta dele por semanas ou meses pode deixar sequelas permanentes.

A maioria dos bebês afetados parece normal ao nascer, porque recebeu parte do hormônio da mãe durante a gestação. É justamente por isso que o teste do pezinho inclui a dosagem de TSH: ele identifica o problema antes dos sintomas. A coleta é recomendada entre o terceiro e o quinto dia de vida.

Causas do hipotireoidismo congênito

  • Disgenesia da tireoide: a glândula não se formou, é pequena ou está fora do lugar, muitas vezes na base da língua. É a causa mais frequente.
  • Disormonogênese: a tireoide existe, mas tem uma falha genética na produção do hormônio.
  • Formas transitórias: ligadas a prematuridade, exposição a iodo, medicamentos ou anticorpos maternos.

Quando o teste vem alterado, a família é convocada para exames confirmatórios em sangue venoso. Confirmado o diagnóstico, o tratamento deve começar o mais cedo possível, idealmente nas duas primeiras semanas de vida. O texto sobre alterações hormonais no teste do pezinho explica todo esse fluxo.

Bebês tratados precocemente e acompanhados de forma regular têm, em geral, desenvolvimento neurológico e crescimento normais.

Sinais que podem aparecer no bebê

Quando o diagnóstico atrasa, podem surgir icterícia prolongada, sonolência excessiva, choro rouco, dificuldade para mamar, intestino preso, hérnia umbilical, língua grande e moleira posterior ampla. Esses sinais não substituem a triagem, porque costumam surgir tarde.

Hipotireoidismo adquirido: a causa autoimune

Depois dos primeiros anos, a causa mais comum de hipotireoidismo em crianças e adolescentes é a tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune em que anticorpos atacam a tireoide. Ela é mais frequente em meninas e costuma aparecer perto ou durante a puberdade.

O quadro é gradual. Muitas vezes a tireoide está aumentada (bócio) e a função ainda é normal, e o hipotireoidismo se instala ao longo de meses ou anos. Por isso, crianças com anticorpos positivos são acompanhadas periodicamente, mesmo sem tratamento.

Quem tem mais risco

  • Crianças com diabetes tipo 1 ou doença celíaca.
  • Crianças com síndrome de Down ou síndrome de Turner.
  • Famílias com casos de doença autoimune da tireoide.

Nesses grupos, o rastreio com TSH é feito periodicamente, mesmo sem sintomas. O texto sobre sintomas de diabetes tipo 1 comenta essa associação.

Outras causas adquiridas

Mais raramente, o hipotireoidismo resulta de deficiência de iodo, tratamento de câncer com radioterapia no pescoço, cirurgia da tireoide, alguns medicamentos ou doenças da hipófise. Nódulos tireoidianos, por sua vez, costumam coexistir com função normal e têm investigação própria, descrita na página sobre nódulos tireoidianos.

Sintomas na criança e no adolescente

O sintoma mais característico do hipotireoidismo adquirido é a desaceleração do crescimento. A criança passa a crescer menos centímetros por ano e vai caindo de faixa na curva de altura, muitas vezes enquanto o peso se mantém ou sobe. A página sobre baixa estatura mostra como esse padrão é investigado.

Outros sinais possíveis:

  • cansaço, sonolência e lentidão;
  • intestino preso;
  • pele seca e cabelos quebradiços;
  • sensação de frio fora do comum;
  • inchaço no rosto e nas pálpebras;
  • queda no rendimento escolar;
  • aumento de volume no pescoço;
  • atraso da puberdade ou, mais raramente, alterações menstruais e sinais puberais antecipados.

Muitas crianças têm sintomas discretos, atribuídos à rotina ou ao temperamento. O traçado na curva de crescimento costuma ser a pista mais objetiva.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é laboratorial. Os exames básicos são o TSH e o T4 livre, colhidos em sangue venoso.

TSH T4 livre Interpretação provável
elevado baixo hipotireoidismo primário
levemente elevado normal hipotireoidismo subclínico
normal ou baixo baixo suspeita de hipotireoidismo central
normal normal função tireoidiana normal

Os anticorpos antiperoxidase (anti-TPO) e antitireoglobulina confirmam a origem autoimune. A ultrassonografia é indicada quando há bócio assimétrico ou nódulo palpável. Nos casos congênitos, a cintilografia ou a ultrassonografia ajudam a definir a causa.

O TSH levemente alto

Elevações discretas de TSH com T4 livre normal são frequentes na infância. Podem ser passageiras, acompanhar a obesidade ou aparecer na recuperação de uma doença. Em muitos casos, a conduta é repetir o exame e observar antes de decidir por tratamento.

Como é o tratamento

O tratamento consiste na reposição do hormônio que falta, com levotiroxina, um comprimido diário cuja dose é ajustada ao peso, à idade e aos exames. O objetivo é manter TSH e T4 livre dentro das faixas adequadas para a idade.

Alguns cuidados aumentam a eficácia:

  1. Tomar sempre no mesmo horário, de preferência em jejum, cerca de 30 minutos antes da primeira refeição.
  2. Em bebês, triturar o comprimido e dissolver em pouca água ou leite materno, oferecendo com seringa ou colher.
  3. Evitar tomar junto com ferro, cálcio, fórmulas de soja ou antiácidos, que reduzem a absorção.
  4. Não suspender nem ajustar a dose por conta própria.

Os exames são repetidos com frequência no primeiro ano de vida e depois em intervalos maiores, sempre que houver mudança de dose, ganho importante de peso ou puberdade. Com o tratamento adequado, a criança retoma o ritmo de crescimento e o desenvolvimento segue o esperado.

Acompanhamento e prognóstico

O hipotireoidismo infantil tratado de forma adequada não costuma limitar a vida da criança. Ela frequenta a escola, pratica esportes e se desenvolve como as demais, desde que mantenha o remédio diário e as consultas de controle.

Durante o acompanhamento, o endocrinologista pediátrico observa, além dos exames, a velocidade de crescimento, o ganho de peso, o desenvolvimento neuromotor nos bebês e o rendimento escolar nas crianças maiores. Na adolescência, a adesão costuma cair, e esquecimentos frequentes da dose voltam a elevar o TSH.

Nos casos de hipotireoidismo congênito com suspeita de forma transitória, a reavaliação costuma ser feita por volta dos 3 anos, quando o cérebro já completou a fase mais sensível. O remédio é suspenso por algumas semanas, sob supervisão, e os exames mostram se a tireoide consegue funcionar sozinha.

Em Brasília, os bebês com teste do pezinho alterado são encaminhados pela rede de triagem neonatal para confirmação e início do tratamento. Crianças com hipotireoidismo adquirido costumam ser acompanhadas em conjunto pelo pediatra e pelo endocrinologista pediátrico.

Perguntas frequentes sobre hipotireoidismo infantil

Quais os sintomas de hipotireoidismo infantil?

O sinal mais característico é a criança crescer menos em altura, muitas vezes enquanto ganha peso. Outros sintomas são cansaço, sonolência, intestino preso, pele seca, intolerância ao frio, queda de rendimento escolar e aumento do volume do pescoço. Muitas crianças têm poucos sintomas, e o diagnóstico vem pelos exames.

O teste do pezinho deu alterado para tireoide, e agora?

O primeiro passo é repetir a dosagem de TSH e T4 livre em sangue venoso com urgência, como o serviço de triagem orienta. Se o hipotireoidismo congênito for confirmado, o tratamento começa imediatamente, de preferência nas duas primeiras semanas de vida. Muitos resultados alterados não se confirmam na segunda coleta.

Hipotireoidismo faz a criança engordar muito?

Em geral, não. O hipotireoidismo causa retenção de líquido e ganho de peso discreto, mas não explica obesidade importante. Uma criança com excesso de peso e altura normal ou alta raramente tem hipotireoidismo como causa. O sinal de alerta é o ganho de peso acompanhado de crescimento lento.

TSH um pouco alto no exame precisa de remédio?

Nem sempre. Elevações discretas de TSH com T4 livre normal são comuns em crianças, inclusive em quem tem obesidade, e muitas vezes se normalizam sozinhas. A conduta costuma ser repetir o exame e pesquisar anticorpos antes de decidir. O tratamento é indicado conforme o valor, os sintomas e o bócio.

Criança com hipotireoidismo vai tomar remédio para sempre?

Depende da causa. Na maioria dos casos congênitos por ausência ou malformação da tireoide e na tireoidite de Hashimoto, a reposição é contínua. Algumas formas congênitas são transitórias, e a necessidade do remédio é reavaliada por volta dos 3 anos, com suspensão supervisionada pelo médico.

Dra. Bárbara Amorim, endocrinologista pediátrica
Dra. Bárbara Amorim

Endocrinologista pediátrica em Brasília (CRM-DF 19193), com residência em Pediatria no HMIB e em Endocrinologia Pediátrica no Hospital de Base do Distrito Federal. Título de especialista pela SBP e pela SBEM.

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Publicado em 17 de junho de 2026. Conteúdo informativo escrito e revisado pela Dra. Bárbara Amorim (CRM-DF 19193); não substitui a consulta médica.

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