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Hormônio do crescimento em crianças: quando é indicado

Crescimento · · 8 min de leitura · Por Dra. Bárbara Amorim

CRESCIMENTO Hormônio do crescimentoem crianças: quando éindicado Dra. Bárbara Amorim · Endocrinopediatra

O hormônio do crescimento em crianças é indicado quando existe um diagnóstico que comprovadamente se beneficia do tratamento. As principais são deficiência de GH, síndrome de Turner, síndrome de Prader-Willi, doença renal crônica, nascidos pequenos para a idade gestacional sem recuperação do crescimento e condições genéticas, como alterações do gene SHOX. A decisão cabe ao endocrinologista pediátrico, com base em exames hormonais e idade óssea, e o tratamento envolve injeções diárias e acompanhamento regular.

O hormônio do crescimento, conhecido pela sigla GH, é produzido pela hipófise, uma glândula do tamanho de um grão de feijão localizada na base do cérebro. Ele é liberado em pulsos, principalmente durante o sono profundo, e age sobre o fígado e outros tecidos estimulando a produção do IGF-1, que por sua vez atua nas cartilagens de crescimento dos ossos.

Desde que passou a ser produzido por tecnologia de DNA recombinante, o hormônio sintético, chamado somatropina, tornou-se um dos tratamentos mais estudados da pediatria. O fato de existir e funcionar bem em algumas situações criou, porém, uma expectativa equivocada de que ele serviria para qualquer criança pequena. Não serve.

O que faz o hormônio do crescimento em crianças

O hormônio do crescimento em crianças tem papel central no ganho de altura, mas não age sozinho. Tireoide, nutrição, sono, hormônios sexuais e genética participam do processo. Por isso uma criança pode ser baixa com produção normal de GH, e a falta do hormônio é apenas uma das causas possíveis.

Além do crescimento, o GH participa do metabolismo de gorduras, açúcares e proteínas, da composição corporal e da densidade óssea. Crianças com deficiência costumam ter acúmulo de gordura na região abdominal, rosto de aparência mais infantil e, em bebês, episódios de hipoglicemia.

Em quais situações o tratamento é indicado

As indicações aprovadas no Brasil seguem, de modo geral, as adotadas por agências internacionais. A decisão é sempre individual e depende de diagnóstico bem estabelecido.

Situação Por que o GH é usado
Deficiência de GH Repõe um hormônio que o organismo não produz em quantidade suficiente
Síndrome de Turner Melhora a estatura final em meninas com essa alteração cromossômica
Síndrome de Prader-Willi Melhora crescimento e composição corporal
Doença renal crônica Compensa a resistência ao GH causada pela doença
Nascidos pequenos para a idade gestacional Indicado quando não houve recuperação do crescimento nos primeiros anos
Deficiência do gene SHOX Melhora o crescimento em uma condição genética específica
Síndrome de Noonan Aprovado em algumas bulas para a baixa estatura associada
Baixa estatura idiopática Indicação aceita em algumas bulas, com benefício mais modesto e debatido

No sistema público, os protocolos clínicos contemplam principalmente a deficiência de GH, incluindo o hipopituitarismo, e a síndrome de Turner. As demais indicações dependem de avaliação caso a caso.

Quando o GH não é indicado

  • Baixa estatura familiar, em que a criança cresce dentro do potencial dos pais.
  • Atraso constitucional do crescimento, em que a altura final costuma ser normal.
  • Crianças de altura normal cujos pais desejam que fiquem mais altas.
  • Crianças com as cartilagens de crescimento já fechadas.
  • Presença de tumor ativo ou doença grave aguda.

Como é feito o diagnóstico da deficiência de GH

O diagnóstico é uma das partes mais delicadas da endocrinologia pediátrica, porque o GH é liberado em pulsos e uma dosagem isolada no sangue não tem valor. A investigação combina vários elementos.

  1. Avaliação clínica e curva de crescimento: a criança costuma crescer devagar e ficar progressivamente mais baixa em relação aos colegas.
  2. Exclusão de outras causas: exames para doença celíaca, hipotireoidismo, doenças renais e, nas meninas, cariótipo.
  3. Dosagem de IGF-1 e IGFBP-3: valores baixos para a idade e o estágio puberal reforçam a suspeita.
  4. Idade óssea: geralmente atrasada na deficiência de GH.
  5. Teste de estímulo: a criança recebe uma medicação que provoca a liberação do GH, e o hormônio é dosado em várias coletas ao longo de algumas horas.
  6. Ressonância magnética da hipófise: feita quando a deficiência é confirmada, para avaliar a anatomia da glândula.

Como o teste de estímulo pode dar resultado falsamente baixo, em geral são necessários dois testes com medicações diferentes para confirmar o diagnóstico. Em crianças próximas da idade da puberdade, pode ser usado um preparo com hormônio sexual antes do exame. Quando há lesão hipofisária conhecida ou deficiência de outros hormônios da hipófise, um único teste pode ser suficiente.

Antes da consulta, os pais podem conferir a posição da criança nas curvas com a calculadora de baixa estatura, que calcula o escore-Z de estatura pelos padrões da OMS.

Como funciona o tratamento

A somatropina é aplicada por injeção subcutânea, geralmente uma vez por dia, à noite, para imitar o pico natural do sono. As aplicações são feitas em casa, com canetas de agulha fina, alternando os locais entre coxas, abdome, braços e nádegas.

A dose é calculada pelo peso ou pela superfície corporal e ajustada ao longo do tempo. Mais recentemente, formulações de ação prolongada, com aplicação semanal, passaram a ser aprovadas em diferentes países. A disponibilidade e as indicações dessas versões variam, e a escolha é discutida em consulta.

A rotina de aplicação em casa

Nas primeiras semanas, a família recebe orientação sobre o preparo da caneta, o armazenamento em geladeira e o descarte das agulhas. Aplicar sempre no mesmo horário ajuda a transformar a injeção em hábito, como escovar os dentes antes de dormir.

Com o tempo, muitas crianças passam a escolher o local da aplicação ou a apertar o botão da caneta, o que aumenta a adesão. Viagens, acampamentos escolares e noites fora de casa pedem planejamento, porque o medicamento precisa de refrigeração. Esquecimentos ocasionais acontecem e devem ser comentados na consulta, sem culpa, para que a equipe ajude a ajustar a rotina.

O que se espera nos primeiros anos

  • No primeiro ano, a velocidade de crescimento costuma aumentar de forma clara, principalmente na deficiência de GH.
  • Nos anos seguintes, o ritmo tende a se estabilizar num patamar menor, mas ainda acima do que a criança tinha antes.
  • A regularidade das aplicações pesa muito: esquecer doses com frequência reduz o resultado.

O tratamento dura anos e costuma seguir até que o crescimento fique muito lento ou a idade óssea indique proximidade do fim do crescimento. Em parte dos pacientes com deficiência grave, o hormônio é mantido na vida adulta, em dose menor, pelos seus efeitos no metabolismo e nos ossos.

Acompanhamento e segurança

Crianças em uso de GH são reavaliadas a cada três a seis meses. Nas consultas, a endocrinologista mede altura e peso, calcula a velocidade de crescimento, examina a coluna e revisa a técnica de aplicação.

Os exames de controle incluem IGF-1, para ajustar a dose e evitar excesso, função da tireoide, que pode se alterar após o início do tratamento, e glicemia. A idade óssea é repetida periodicamente.

Os efeitos adversos mais importantes, embora incomuns, são:

  • dor de cabeça persistente com náuseas ou alteração visual, por aumento da pressão intracraniana;
  • dor no quadril ou no joelho, com mancar, que pode indicar deslizamento da cabeça do fêmur;
  • piora de escoliose em crianças que já têm desvio na coluna;
  • alterações da glicemia, sobretudo em quem já tem fatores de risco.

Qualquer um desses sinais deve ser comunicado logo, sem esperar a consulta de rotina.

Quando procurar avaliação

A investigação é indicada quando a criança está abaixo da curva esperada para a idade, cresce devagar ou está muito abaixo do padrão da família. O texto meu filho tem baixa estatura explica os critérios usados para decidir quem precisa investigar.

Crianças com lesões ou cirurgias na região da hipófise, que receberam radioterapia no crânio, que tiveram hipoglicemia e icterícia prolongada como recém-nascidos ou que têm deficiência de outros hormônios hipofisários também merecem atenção. Em Brasília, a avaliação é feita em consultório, e os testes de estímulo são realizados em serviços preparados para coletas seriadas. A página de baixa estatura resume as condições acompanhadas e o caminho da investigação.

Perguntas frequentes sobre hormônio do crescimento em crianças

Hormônio do crescimento em crianças tem efeito colateral?

Tem, mas os efeitos graves são raros quando o tratamento é bem indicado e acompanhado. Podem ocorrer dor de cabeça por aumento da pressão dentro do crânio, dor no quadril ou no joelho, piora de escoliose e alterações da glicemia. Por isso as consultas de controle são regulares.

O GH faz meu filho crescer quanto a mais?

Depende do diagnóstico, da idade de início e da resposta individual. Na deficiência de GH, o ganho costuma ser expressivo e permite atingir a faixa da família. Em outras indicações, o benefício é mais modesto. Nenhum médico consegue garantir um número exato de centímetros.

Criança baixa de pais baixos pode usar hormônio do crescimento?

Em geral, não. A baixa estatura familiar é uma variante normal, e a criança já cresce de acordo com o potencial genético. O tratamento com GH nessa situação não tem indicação estabelecida e expõe a criança a injeções diárias sem benefício claro.

A injeção de hormônio do crescimento dói?

Costuma incomodar pouco. A aplicação é subcutânea, com agulha muito fina e canetas próprias, semelhante às usadas para insulina. A maioria das crianças se adapta em poucas semanas, e muitas aprendem a participar da aplicação com o tempo.

Até que idade a criança pode receber GH?

O tratamento para o ganho de altura segue enquanto as cartilagens de crescimento estão abertas e a resposta é adequada. Ele costuma ser suspenso quando o crescimento fica muito lento ou a idade óssea mostra que o esqueleto está próximo da maturidade.

Dra. Bárbara Amorim, endocrinologista pediátrica
Dra. Bárbara Amorim

Endocrinologista pediátrica em Brasília (CRM-DF 19193), com residência em Pediatria no HMIB e em Endocrinologia Pediátrica no Hospital de Base do Distrito Federal. Título de especialista pela SBP e pela SBEM.

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Áreas relacionadas: Baixa estatura, Hipopituitarismo, Síndrome de Turner

Publicado em 06 de maio de 2026. Conteúdo informativo escrito e revisado pela Dra. Bárbara Amorim (CRM-DF 19193); não substitui a consulta médica.

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