Pular para o conteúdo

Síndrome de Turner: tratamento, crescimento e acompanhamento

A síndrome de Turner é uma condição genética que ocorre em meninas pela ausência total ou parcial de um dos cromossomos X. O tratamento se apoia em três pilares: hormônio do crescimento iniciado cedo para melhorar a estatura final, reposição de estrogênio para induzir a puberdade na idade adequada e acompanhamento periódico de coração, rins, tireoide, audição, intestino e metabolismo. Com diagnóstico precoce e seguimento contínuo, a maioria das meninas tem vida escolar, social e profissional plena.

O que é a síndrome de Turner

A síndrome de Turner é uma condição cromossômica que afeta exclusivamente pessoas do sexo feminino. Ela acontece quando um dos dois cromossomos X está ausente, total ou parcialmente, em todas ou em parte das células do corpo. É uma das alterações cromossômicas mais frequentes em meninas, estimada em cerca de uma a cada 2.500 nascidas vivas.

A forma clássica corresponde ao cariótipo 45,X, em que existe apenas um cromossomo X. Há também os mosaicismos, em que convivem células 45,X e células com outra constituição (como 46,XX), e as alterações estruturais do X, como perda de um braço ou formação de um anel. Essas variações explicam por que o quadro varia bastante de uma menina para outra.

A condição não é causada por nada que os pais tenham feito. Na grande maioria dos casos, a alteração surge por acaso na formação do óvulo, do espermatozoide ou nas primeiras divisões do embrião, e o risco de repetição em outra gestação não costuma ser maior do que o da população geral.

Como a síndrome se manifesta

A baixa estatura é o sinal mais constante. Sem tratamento, a altura adulta costuma ficar cerca de 20 centímetros abaixo do esperado para a família. O crescimento pode já ser menor ao nascer, desacelera ao longo da infância e não tem o estirão típico da adolescência.

O segundo ponto central é a insuficiência ovariana. Os ovários se formam, mas perdem os folículos precocemente, muitas vezes antes da puberdade. Por isso, grande parte das meninas não desenvolve mamas nem menstrua sem reposição hormonal.

Outros achados possíveis incluem inchaço de mãos e pés no recém-nascido, pescoço curto ou com pregas, orelhas de implantação baixa, unhas pequenas, cotovelos desviados para fora e muitas pintas na pele. Entre os órgãos internos, merecem atenção a valva aórtica bicúspide, a coarctação da aorta, alterações renais como o rim em ferradura, a perda auditiva e as otites de repetição.

Quando procurar a endocrinologista pediátrica

A suspeita pode surgir em diferentes idades. Ainda na gestação, alterações no ultrassom ou em exames de triagem podem levantar a hipótese, que precisa ser confirmada após o nascimento. No bebê, o inchaço de mãos e pés e as alterações do pescoço chamam a atenção.

Na infância, o sinal mais comum é uma menina que vai ficando progressivamente mais baixa que as colegas, sem explicação aparente. A avaliação da curva de crescimento mostra a queda de canal, e a calculadora de escore-Z de estatura ajuda os pais a entender a posição da filha em relação às referências da OMS. Toda menina com baixa estatura sem causa definida deve fazer cariótipo.

Na adolescência, a ausência de mamas aos 13 anos ou de menstruação aos 15 anos também leva à investigação, que muitas vezes revela a síndrome em meninas com mosaicismo e sinais mais discretos.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é confirmado pelo cariótipo de sangue periférico, com análise de pelo menos 30 células, número que aumenta a chance de detectar mosaicismos. Em alguns casos, técnicas complementares, como FISH, ajudam a esclarecer alterações estruturais.

Quando o exame mostra material do cromossomo Y, é necessário investigar melhor, porque há risco aumentado de tumor nas gônadas, e a conduta é discutida com a cirurgia pediátrica.

Após a confirmação, é feita uma avaliação inicial ampla: ecocardiograma e, quando possível, ressonância cardíaca, ultrassonografia renal, audiometria, função da tireoide, rastreamento de doença celíaca, enzimas do fígado, glicemia, perfil de lipídios e avaliação oftalmológica e ortopédica. Esse retrato inicial orienta o seguimento.

Síndrome de Turner: tratamento e acompanhamento

O plano de tratamento da síndrome de Turner é construído em etapas, respeitando a idade e as necessidades de cada menina. Três frentes caminham juntas: estatura, puberdade e saúde dos demais órgãos.

Hormônio do crescimento

O hormônio do crescimento é indicado assim que se documenta crescimento abaixo do esperado, frequentemente entre os 4 e os 6 anos ou até antes. As doses usadas são maiores que as da deficiência clássica de GH, e a resposta é acompanhada a cada consulta pela velocidade de crescimento e por exames como IGF-1. O artigo sobre quando o hormônio do crescimento é indicado detalha como funciona esse tratamento.

O tratamento continua até que a velocidade de crescimento fique muito baixa ou a idade óssea mostre fechamento das cartilagens. O ganho de estatura varia de menina para menina e depende principalmente da idade de início e da duração do uso.

Indução da puberdade

A indução da puberdade com estrogênio começa, em geral, entre os 11 e os 12 anos, depois de confirmada a falência ovariana. A preferência atual é pelo estradiol em doses baixas, muitas vezes por via transdérmica, aumentadas aos poucos ao longo de cerca de dois anos. Depois disso, acrescenta-se um progestagênio para proteger o endométrio e permitir menstruações regulares. A reposição continua na vida adulta e protege ossos, coração e bem-estar.

Vigilância ao longo da vida

O seguimento inclui pressão arterial em todas as consultas, exames cardíacos periódicos, audiometria, tireoide, doença celíaca, fígado, glicemia e colesterol. A saúde emocional, o desempenho escolar e a autoestima têm o mesmo peso que os exames. Na transição para a vida adulta, a paciente é encaminhada com um resumo completo do seu histórico.

Acompanhamento em Brasília e a vida da família

Para famílias do Distrito Federal, o acompanhamento costuma envolver endocrinologia pediátrica, cardiologia, otorrinolaringologia, nefrologia e psicologia, e a organização desse calendário é parte do cuidado. No consultório na Asa Sul, a Dra. Bárbara Amorim coordena o seguimento hormonal e ajuda a família a planejar os exames de cada fase.

Na rede pública, a somatropina para síndrome de Turner é fornecida conforme protocolo do Ministério da Saúde, e a família recebe orientação sobre os documentos e relatórios necessários.

Explicar a condição à menina, com palavras adequadas à idade, é um processo gradual. Conhecer a própria história fortalece a adesão ao tratamento e a autonomia na adolescência. O contato com outras famílias e com grupos de apoio também costuma ajudar pais e filhas a enxergar com mais tranquilidade o caminho pela frente.

Sinais que merecem avaliação

  • Baixa estatura progressiva
  • Inchaço de mãos e pés ao nascer
  • Pescoço curto ou com pregas laterais
  • Implantação baixa dos cabelos na nuca
  • Otites de repetição
  • Puberdade que não começa
  • Falta da primeira menstruação

Exames que podem ser solicitados

  • Cariótipo com contagem de 30 células ou mais
  • Ecocardiograma e ressonância cardíaca
  • Ultrassonografia de rins e vias urinárias
  • TSH, T4 livre e anticorpos para doença celíaca
  • LH, FSH e hormônio antimülleriano
  • Audiometria
  • Radiografia de mão e punho para idade óssea
Dra. Bárbara Amorim em consulta de síndrome de Turner tratamento
Consulta de endocrinologia pediátrica na Asa Sul, Brasília.

Como a Dra. Bárbara Amorim conduz síndrome de Turner tratamento

A consulta começa por uma conversa detalhada com a família e pela revisão do histórico da criança desde a gestação. Em seguida vem o exame físico completo, com medidas cuidadosas de peso, estatura e proporções corporais, marcadas nas curvas de crescimento da OMS. Os exames são pedidos de forma individualizada, apenas quando ajudam a responder a pergunta clínica, e o plano de tratamento é explicado em linguagem clara para os pais e para a própria criança ou adolescente.

Perguntas frequentes sobre síndrome de Turner tratamento

Como funciona o tratamento da síndrome de Turner?

O tratamento da síndrome de Turner combina hormônio do crescimento, em aplicações diárias ou semanais conforme o produto, reposição de estrogênio a partir do início da adolescência e exames periódicos de coração, rins, tireoide e audição. O plano é individual e ajustado conforme a resposta de cada menina.

Com que idade minha filha deve começar o hormônio do crescimento?

O ideal é começar assim que o crescimento se mostra abaixo do esperado, muitas vezes ainda na primeira infância. Quanto mais cedo o tratamento começa, maior o ganho potencial de estatura, porque há mais anos de crescimento pela frente antes do fechamento das cartilagens.

Minha filha com Turner vai menstruar?

A maioria das meninas com Turner precisa de estrogênio para iniciar a puberdade, porque os ovários perdem a função cedo. Com a reposição, as mamas se desenvolvem e as menstruações passam a ocorrer. Uma parte das meninas, sobretudo com mosaicismo, inicia a puberdade sozinha, mas pode ter falência ovariana depois.

A síndrome de Turner afeta a inteligência?

Em geral, não. A inteligência costuma ser normal. Algumas meninas têm dificuldades específicas em habilidades visuoespaciais, matemática ou atenção, que se beneficiam de apoio escolar dirigido. Por isso, o acompanhamento inclui atenção ao desenvolvimento e ao desempenho na escola.

Mulheres com síndrome de Turner podem engravidar?

Algumas podem, mas a fertilidade costuma ser muito reduzida. Em meninas com função ovariana residual, a preservação de óvulos pode ser discutida. A gravidez por ovodoação é outra possibilidade, mas exige avaliação cardiológica rigorosa antes, pelo risco aumentado de complicações na aorta.

Conteúdo informativo revisado pela Dra. Bárbara Amorim (CRM-DF 19193). Não substitui a consulta médica: diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual.

Leia também

Missão de médica

Agir de forma íntegra, com conhecimento e proporcionar cuidado e carinho aos meus pacientes.

Ligue agora(61) 3345-8263