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Distúrbios do metabolismo ósseo na infância: causas e tratamento

Os distúrbios do metabolismo ósseo na infância são condições que alteram o equilíbrio de cálcio, fósforo, vitamina D e paratormônio, ou a própria estrutura do osso, e podem causar deformidades, dor, fraturas com traumas leves e crescimento abaixo do esperado. Incluem o raquitismo carencial e o hereditário, a osteogênese imperfeita, a hipofosfatasia, as doenças da paratireoide e a baixa massa óssea por doenças crônicas ou corticoides. O tratamento depende da causa.

O que são os distúrbios do metabolismo ósseo na infância

O osso de uma criança está em construção permanente. Além de crescer em comprimento pelas cartilagens de crescimento, ele ganha densidade e resistência ano a ano, e boa parte da massa óssea que a pessoa terá na vida adulta é acumulada até o fim da adolescência.

Esse processo depende de um equilíbrio fino entre cálcio, fósforo, vitamina D e paratormônio, hormônio produzido pelas glândulas paratireoides. Depende também da qualidade do colágeno e das células que formam e remodelam o osso. Os distúrbios do metabolismo ósseo na infância acontecem quando alguma dessas peças falha.

As consequências variam conforme a causa: ossos que se deformam por mineralização insuficiente, ossos frágeis que quebram com facilidade, alterações de cálcio no sangue que causam sintomas musculares, ou massa óssea abaixo do esperado que só se revela em exames.

Causas e tipos

Raquitismo

O raquitismo é a falha na mineralização da cartilagem de crescimento, o que deixa os ossos amolecidos e sujeitos a deformidades. A forma mais frequente é a carencial, por falta de vitamina D ou de cálcio na alimentação, mais comum em bebês sem suplementação, crianças com pouca exposição solar ou com dietas muito restritivas. O artigo sobre vitamina D em crianças aprofunda esse tema.

Existem também formas hereditárias. A mais conhecida é o raquitismo hipofosfatêmico ligado ao X, em que os rins perdem fósforo em excesso por ação aumentada do hormônio FGF23. Nesses casos, suplementar apenas vitamina D não corrige o problema.

Ossos frágeis

A osteogênese imperfeita é uma condição genética, na maioria das vezes ligada ao colágeno tipo 1, que torna os ossos frágeis. O espectro vai de formas leves, com poucas fraturas, a formas graves, com deformidades e baixa estatura importante. Escleras azuladas, perda auditiva e dentes frágeis podem acompanhar o quadro.

A hipofosfatasia, mais rara, decorre da atividade reduzida da enzima fosfatase alcalina e pode causar perda precoce de dentes de leite, dor óssea e fraturas.

Osteoporose secundária e alterações de cálcio

Doenças crônicas, como doença celíaca, doenças inflamatórias intestinais e condições neurológicas com pouca mobilidade, além do uso prolongado de corticoides, podem reduzir a massa óssea. Deficiências hormonais também interferem: hipogonadismo, deficiência de hormônio do crescimento e síndrome de Turner estão entre elas. Já o hipoparatireoidismo e o pseudo-hipoparatireoidismo causam cálcio baixo, com cãibras, formigamento e, às vezes, convulsões.

Quando procurar a endocrinologista pediátrica

Algumas situações justificam avaliação: deformidade de pernas acentuada, assimétrica ou que persiste além da idade em que costuma se corrigir; atraso para andar; punhos alargados; fraturas com traumas leves ou em vértebras; dor óssea persistente; e cãibras ou espasmos musculares sem causa clara.

A consulta também é indicada para crianças com doenças crônicas ou em uso prolongado de corticoides, mesmo sem sintomas, para rastrear a saúde óssea. E para crianças com baixa estatura desproporcional, em que tronco e membros não crescem na mesma proporção, porque algumas doenças ósseas se manifestam primeiro assim.

Como é feito o diagnóstico

A investigação começa pela história alimentar, exposição ao sol, medicamentos em uso, número e circunstâncias das fraturas e casos semelhantes na família. O exame físico avalia proporções corporais, deformidades, coluna, dentes, escleras e pele.

Os exames de sangue medem cálcio, fósforo, magnésio, fosfatase alcalina, paratormônio e 25-hidroxivitamina D, sempre interpretados com valores de referência para a idade, já que fósforo e fosfatase alcalina são naturalmente mais altos em crianças. A dosagem na urina mostra se os rins estão perdendo cálcio ou fósforo.

As radiografias de punhos e joelhos revelam os sinais típicos de raquitismo, e a radiografia de coluna identifica fraturas vertebrais silenciosas. A densitometria óssea por DXA estima a massa óssea, mas em crianças precisa ser interpretada pelo escore Z e ajustada para a estatura, sob pena de subestimar o osso de crianças baixas. Em casos selecionados, o estudo genético confirma a causa.

Tratamento dos distúrbios do metabolismo ósseo na infância

O tratamento dos distúrbios do metabolismo ósseo na infância é sempre dirigido à causa. No raquitismo carencial, a reposição de vitamina D e de cálcio, com doses e duração definidas pelo médico, costuma corrigir as alterações laboratoriais em semanas e melhorar as deformidades ao longo dos meses.

No raquitismo hipofosfatêmico ligado ao X, o tratamento clássico combina fosfato oral e calcitriol, com monitoramento cuidadoso para evitar excesso de cálcio na urina. Um anticorpo que bloqueia o FGF23, o burosumabe, ampliou as opções para crianças elegíveis.

Na osteogênese imperfeita e em algumas formas de osteoporose secundária, os bifosfonatos por via venosa podem reduzir fraturas e dor, sempre em parceria com ortopedia e fisioterapia. No hipoparatireoidismo, o objetivo é manter o cálcio em faixa segura, sem sobrecarregar os rins.

Em todos os casos, hábitos contam: alimentação com cálcio suficiente, atividade física com impacto adequado à condição, sono regular e correção de deficiências hormonais associadas. O seguimento inclui exames periódicos, controle de crescimento e, quando indicado, repetição da densitometria óssea.

A adolescência merece atenção especial, porque é a fase de maior ganho de massa óssea. Atrasos da puberdade, restrições alimentares, excesso de treino esportivo e baixo peso podem comprometer esse ganho, e corrigir essas situações a tempo é parte da prevenção de fraturas na vida adulta.

Acompanhamento em Brasília e a vida da família

Brasília tem sol abundante durante boa parte do ano, mas isso não garante vitamina D adequada para todas as crianças. Rotina em ambientes fechados, uso de protetor solar, pele mais escura e alimentação restrita podem manter os níveis baixos, e a avaliação deve ser individual.

No consultório da Dra. Bárbara Amorim, na Asa Sul, o plano é organizado junto com pediatras, ortopedistas e demais especialistas que acompanham a criança. Pais de crianças com ossos frágeis recebem orientação prática sobre manuseio, escola e atividades seguras, para que a proteção dos ossos não signifique afastar a criança da vida em movimento.

Sinais que merecem avaliação

  • Pernas muito arqueadas ou joelhos para dentro
  • Atraso para andar
  • Punhos e tornozelos alargados
  • Fraturas com traumas leves
  • Dor nos ossos ou nas costas
  • Cãibras, formigamento ou espasmos
  • Perda precoce de dentes de leite
  • Parte branca dos olhos azulada

Exames que podem ser solicitados

  • Cálcio, fósforo, magnésio e fosfatase alcalina
  • Paratormônio (PTH) e 25-hidroxivitamina D
  • Função renal e cálcio e fósforo na urina
  • Radiografias de punhos, joelhos e coluna
  • Densitometria óssea (DXA) com escore Z
  • Estudo genético em casos selecionados
Dra. Bárbara Amorim em consulta de distúrbios do metabolismo ósseo na infância
Consulta de endocrinologia pediátrica na Asa Sul, Brasília.

Como a Dra. Bárbara Amorim conduz distúrbios do metabolismo ósseo na infância

A consulta começa por uma conversa detalhada com a família e pela revisão do histórico da criança desde a gestação. Em seguida vem o exame físico completo, com medidas cuidadosas de peso, estatura e proporções corporais, marcadas nas curvas de crescimento da OMS. Os exames são pedidos de forma individualizada, apenas quando ajudam a responder a pergunta clínica, e o plano de tratamento é explicado em linguagem clara para os pais e para a própria criança ou adolescente.

Perguntas frequentes sobre distúrbios do metabolismo ósseo na infância

Quais são os distúrbios do metabolismo ósseo na infância mais comuns?

Os mais comuns são o raquitismo por falta de vitamina D ou de cálcio e a baixa massa óssea ligada a doenças crônicas, uso prolongado de corticoides ou pouca mobilidade. Mais raros, mas importantes, são o raquitismo hipofosfatêmico hereditário, a osteogênese imperfeita e a hipofosfatasia.

Meu filho tem as pernas tortas. É raquitismo?

Nem sempre. Pernas arqueadas até os 2 anos e joelhos para dentro entre 3 e 6 anos costumam ser fases normais do desenvolvimento. A deformidade merece avaliação quando é acentuada, assimétrica, piora após essas idades ou vem acompanhada de baixa estatura, atraso para andar ou alargamento dos punhos.

Quantas fraturas são consideradas demais em uma criança?

Não existe um número fixo, mas preocupa a fratura que acontece com trauma leve, como uma queda da própria altura, e principalmente fraturas de vértebras. Duas ou mais fraturas de ossos longos por traumas pequenos até os 10 anos, ou três até os 19, justificam investigação da saúde óssea.

Toda criança precisa tomar suplemento de vitamina D?

No primeiro ano de vida, a suplementação é recomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria para a maioria dos bebês. Depois disso, a necessidade é individual e depende de exposição solar, alimentação e fatores de risco. Doses altas sem orientação podem causar excesso de cálcio no sangue.

A densitometria óssea é feita em criança do mesmo jeito que em adulto?

O aparelho é o mesmo, mas a interpretação é diferente. Em crianças usa-se o escore Z, que compara com a mesma idade e sexo, e o resultado precisa ser ajustado para a estatura. Um exame isolado com escore Z baixo não basta para diagnosticar osteoporose na infância.

Conteúdo informativo revisado pela Dra. Bárbara Amorim (CRM-DF 19193). Não substitui a consulta médica: diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual.

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